sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Dirigente denuncia "irregularidades" na arbitragem do boxe em Pequim


Romeno Rudel Obreja acusou organização da modalidade de alterar resultado das atas de mais de 22 lutas
O romeno Rudel Obreja, membro do Comitê Executivo da Associação Internacional de Boxe Amador (Aiba), denunciou hoje "graves irregularidades" e "manipulação" com relação à designação dos juízes durante os Jogos Olímpicos de Pequim.
"Estamos diante de um caso grave de corrupção no boxe, com mais de 22 lutas nas quais as atas originais de designação dos juízes aparecem riscadas e com mudanças", denunciou Obreja, presidente da federação romena de boxe, em entrevista coletiva improvisada no Ginásio dos Trabalhadores, palco da modalidade nos Jogos de Pequim.
Obreja, que também é vice-presidente da comissão técnica que supervisiona o torneio olímpico, disse que a Aiba não tinha nenhum interesse em investigar a fundo o ocorrido, porque as irregularidades contavam com aprovação de dirigentes da entidade.
"Existe uma comissão de ética que diz vai trabalhar sobre as denúncias, mas estou convencido de que ninguém fará nada. Por isso eu quis divulgar o caso pessoalmente, embora saiba que esta será a última vez em que poderei me dirigir a vocês de forma livre e democrática", acusou Obreja.
Após ter organizado pessoalmente a improvisada entrevista coletiva, ao término das semifinais do boxe em Pequim, Obreja assistiu à chegada à sala do sul-coreano Ho Kim, diretor-executivo da Aiba, para pedir aos jornalistas que não ouvissem o romeno.
"Não ouçam o que diz este senhor. A comissão técnica que supervisiona o torneio divulgará tudo o que estiver relacionado com a competição", anunciou Kim, que, no entanto, não estabeleceu quando daria uma coletiva de imprensa oficial para abordar o tema.
A ação de Kim não impediu que os jornalistas seguissem fazendo perguntas a Obreja, que se referiu a Kim diante de todos como o "homem que pôs dinheiro" para que o taiuanês Ching-Kuo Wu chegasse à presidência da Aiba.
"Esse senhor não tem moral, porque comprou com seu dinheiro votos para o presidente", completou Obreja.
Durante a discussão entre Obreja e Kim, que pedia que as entrevistas com o romeno fossem canceladas, chegou à sala da coletiva o americano Thomas Vigerts, responsável pela comissão de ética da Aiba, órgão encarregado de estudar todas as "supostas" irregularidades envolvendo o boxe amador.
Vigerts comunicou ao diretor romeno que este tinha violado o código interno da organização.
"O senhor Obreja é consciente de que está violando o compromisso assumido como membro do comitê executivo da Aiba que o obriga a tratar todos os assuntos internos de forma particular e pelas vias correspondentes", disparou Vigerts.
"O próprio Kim veio até mim dizer que eu escolhesse o juiz que eu quisesse para a luta do pugilista romeno", denunciou Obreja. "Minha resposta foi que não estava em Pequim para defender o boxe romeno, e sim todo o esporte", concluiu.

0 comentários:

 
© 2007 Template feito por Templates para Você