domingo, 24 de agosto de 2008

De virada, Brasil perde para os EUA e enterra o sonho do terceiro ouro olímpico no vôlei masculino


Seleção Brasileira encerra geração vitoriosa com a medalha de prata nos Jogos de Pequim O Brasil perdeu a chance de conquistar o bicampeonato olímpico – e consequentemente o seu terceiro ouro – ao ser derrotado pelos EUA por 3-1, neste domingo, em Pequim. Foi a segunda derrota consecutiva desta equipe que vinha dominando o cenário mundial nos últimos oito anos. Em julho passado, no Rio de Janeiro, ficou em quarto lugar na Liga Mundial. E perde novamente para os EUA, que tinham batido o Brasil nas semifinais do torneio carioca.
Com o título, os EUA se igualam à extinta União Soviética, único time a conquistar três ouros olímpicos. E deixam para trás o Brasil, que continua contabilizando dois triunfos em Jogos Olímpicos. O vôlei participa da Olimpíada desde 1964, no Japão.
Em nenhum momento da competição o Brasil demonstrou ser um time inquestionável, como foi no passado. Demonstração inequívoca de que o time enfrenta problemas dentro da quadra. Não encontra respostas para as dificuldades alheias e as que oferece aos oponentes são resolvidas mais facilmente pelos oponentes.
Com o resultado, o técnico Bernardinho pode se afastar da seleção. Ele deixou essa porta sempre aberta durante a competição. A possibilidade de fechá-la definitivamente poderá vir nas próximas horas ou nos próximos dias.O jogo começou bem para o Brasil. No primeiro tempo técnico o time vencia por 8-4. Dois erros de ataque de Stanley, um dos melhores – senão o melhor – jogadores na partida da Liga Mundial, deram a primeira vantagem ao Brasil. Em dois outros contra-ataques, a equipe ampliou a vantagem para quatro pontos.
Hugh McCutcheon, o técnico neo-zelandês dos EUA, pediu seu primeiro tempo após Dante mandar uma bomba no saque e fazer 12-7 para o Brasil. Não adiantou nada: o segundo ponto de saque do Brasil veio com Gustavo, ampliando a vantagem para 15-8.
Quando a vantagem brasileira chegou em 21-15, após um block de Gustavo, McCutcheon pediu seu segundo tempo. Como no primeiro, nada adiantou: André Heller, em jogada pelo meio, cravou o ponto final brasileiro, que fechou o primeiro set em 25-20 em 26 minutos.
O segundo set começou muito mal para o Brasil. Tanto que Bernardinho, para acalmar o jogo, pediu seu primeiro tempo quando num conta-ataque os EUA fizeram 3-0. Como aconteceu com McCutcheon, Bernardinho também não obteve sucesso. Tudo por conta do saque devastador de Stanley, que amplicou a vantagem para 6-0, vindo a seguir o tempo técnico.
Três pontos depois, ou seja, quando o placar marcava 8-1 parar os EUA, depois de um erro de Giba, que pisou na linha ao atacar do fundo, veio o tempo técnico. Boa chance para tentar modificar o cenário do jogo.
Aos poucos o Brasil foi tirando a diferença. Quando André Heller bloqueou Salmon e baixou a diferença para 17-13, foi a vez de McCutcheon pedir seu tempo. Mas Heller e Giba fizeram naufragar os planos do treinador com dois bloqueios consecutivos, deixando o marcador em 17-15.
Os EUA responderam com um block; o Brasil contribuiu com um erro de ataque, e a diferença aumentou novamente para quatro pontos: 19-15. Tempo de Bernardinho.
Um contra-ataque de Giba fez o Brasil encostar nos EUA: 21-20. Mas Stanley voltou para o saque, ampliou a vantagem para 24-20. O jogo acabou em 25-22 em 30 minutos.
A igualdade marcou o início do terceiro set. Foi assim até o primeiro tempo técnico, com os EUA na frente em 8-7. Uma sucessão de erros do Brasil, que basicamente acabaram no bloqueio norte-americano, deu a primeira boa vantagem para os EUA em 12-9.
O segundo tempo técnico veio e com ela um ponto a mais na vantagem para os EUA: 16-12. No banco, Bernardinho, decretou: “Vamos buscar esse ouro!”.
E mandou os jogadores de volta para a quadra.
A mensagem não foi assimilada. Os EUA aumentaram a vantagem para 19-14. Novo tempo de Bernardinho. Desta vez surtiu efeito: o time buscou a diferença primeiro com um ponto de saque de Bruno, na sequência um bloqueio de Gustavo. No ponto seguinte, perdeu a chance do contra-ataque: 21-17 para os EUA.
Um ponto de Gustavo no contra-ataque baixou a diferença em um ponto e McCutcheon pediu seu tempo. Não poderia ter vindo em hora melhor: os EUA fecharam o set em 28 minutos em 25-21, pulando na frente na partida em 2-1.
Ganhar ou ganhar. O velho chavão futebolístico caiu perfeitamente para o time brasileiro nos próximos dois sets.
Com Murilo no lugar de André Nascimento, o Brasil começou sacando muito mal no quarto set. Três foram os equívocos nacionais, mas quando eles entraram, proporcionaram dois contra-ataques que mandaram o time do técnico Bernardinho à frente em dois pontos assim que chegou o primeiro tempo técnico: 8-6.
“Vamos abrir, é a hora, é a hora”, disse Giba no segundo tempo técnico, com o placar mostrando 16-14 para o Brasil.
Os companheiros atenderam o pedido. Veio um bloqueio de Gustavo, que mandou o marcador para 19-16. Chegou em 19-17. Foi então que os EUA fizeram uma corrida de 5-0, passaram o jogo para 22-20.
O rodízio foi feito e os EUA fecharam o jogo em 25-23 e a partida em 3-1.

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